Especificações
¤ Nome: Counter-Strike: Condition Zero
¤ Preço Médio: R$ 79.90
¤ Produtor: Turtle Rock Studios
¤ Distribuidor: VU Games Brasil / Vivendi Universal / Sierra
¤ Sistema Requerido pelo Fabricante: Pentium III 500 MHz, 96 Mb de RAM, Windows 98/ME/2000/XP, Placa de vídeo com 16 Mb, CD-ROM 4x, 2 Gb de espaço livre no HD.
¤ Sistema Sugerido pela GamesBrasil: Athlon 1.2 MHz, 256 Mb RAM, placa de vídeo com 32 MB (ATI ou NVIDIA), CD-ROM 40x.
¤ Jogos Parecidos: Half-Life, Counter-Strike.
¤ Estilo: Shooter em primeira pessoa.
Introdução
CS: Condition Zero enfim saiu! Após um período de mais de 3 anos desde o seu anúncio que englobou atrasos, mudanças nos planos e muita confusão/enrolação, a Valve lançou no mercado o seu tão prometido game trazendo pela primeira vez o suporte ao modo single-player do Mod multiplayer mais jogado para Half-Life e que virou uma verdadeira febre desde o início do século, se tornando um dos games mais disputados em todo o mundo nos últimos anos. As etapas do desenvolvimento deste game se tornaram quase como capítulos de “novela mexicana”, com direito a troca da desenvolvedora por duas vezes, previsões de lançamentos desde 2002 e mudanças drásticas no enfoque da jogabilidade. Após a troca inicial do reconhecido estúdio Gearbox Software (responsável pela versão para PC do Halo: Combat Evolved entre diversos outros títulos) pela também famosa Ritual Entertainment (que tem na bagagem alguns sucessos como Sin, Star Trek: Elite Force II e Heavy Metal FAKK 2), tendo esta passado mais de 1 ano no desenvolvimento da campanha com missões para single-player, a Valve simplesmente resolveu mudar os planos no segundo semestre de 2003, para enfocar o suporte single-player do game não mais para uma campanha de missões, mas sim como uma disputa atualizada com os já conhecidos mapas do CS para serem disputados contra o computador (também chamados de Bots), colocando o game nas mãos da “novata” Turtle Rock Studios que até então só havia trabalhado como colaboradora em alguns pontos no desenvolvimento com outras empresas.
Se você achou que a história está enrolada, acredite que ainda é só o começo. Provavelmente, devido aos gastos das etapas anteriores com as outras desenvolvedoras, assim como a expectativa causada entre os fãs da série e até mesmo por possíveis contratos, a Valve resolveu não jogar fora a campanha de missões que estava muito próxima de ser concluída, e a incluiu como um extra no pacote do game (que ainda conta com um outro CD com os vídeos em alta resolução do Half-Life 2) com o nome de “Condition Zero Deleted Scenes”, proporcionando assim um extra aos jogadores. Porém, a campanha de missões não chegou a ser totalmente finalizada, embora ela esteja completa no seu enredo (incluindo início, meio e fim), o que acaba trazendo bugs, falhas em certos pontos do mapa e até alguns erros um tanto quanto grosseiros durante as fases, mas nada que impeça de ser terminada com sucesso (o que é alertado até mesmo no manual do jogo). Ainda assim, as missões do Deleted Scenes podem ser ainda mais interessante do que o modo single-player do game que se resume em apenas jogar CS contra a máquina e cumprir alguns objetivos, como veremos mais adiante. E se houvesse somente o single-player “oficial” do game, certamente os fãs iriam se revoltar, pois ele não tem nada a ver com as dezenas de screenshots divulgadas pela própria Valve nos primeiros anos do projeto.
Antes de entrarmos para os detalhes de cada quesito, vale mais um parêntese nesta história, para comentar sobre os recursos técnicos do game. Como todos sabem, o Counter-Strike: Condition Zero usa como base a engine do Half-Life – lançado em 1998 -, e mesmo com todas as modificações e melhorias, como as texturas de maior definição e os efeitos de áudio, e mesmo sendo uma das engines mais revolucionárias do mundo dos games, está claramente ultrapassada para os dias de hoje, e nem haveria como ser diferente, quando se compara todas as inovações e novidades disponíveis em títulos como Far Cry, UT 2004 e outros títulos que saíram este ano. Esta defasagem torna o game muito menos interessante do que seria, se fosse lançado há 2 anos atrás conforme era previsto inicialmente, e por isso o game acabou perdendo muito do brilho que era esperado.
Jogabilidade
Não há qualquer inovação na jogabilidade do CS:CZ para quem já conhece qualquer coisa de Counter-Strike. Os comandos são praticamente os mesmos, assim como as armas e as opções de jogo, se comparados à última versão (1.6) do CS.
Para quem já é craque no CS, provavelmente não vai se animar tanto com o modo single-player disponibilizado pelo game. Embora o primeiro Bot oficial seja muito bom, por conseguir fazer dos personagens controlados pelo computador – tanto do seu time como do adversário – bastante realistas e com um ótimo nível de interação com o jogador real, ele se torna mais útil e animador para quem ainda não manja muito ou precisa aprimorar as suas habilidades, o que pode colaborar para que o jogador melhore a sua performance nas partidas contra adversários reais.
A campanha de mapas contra os Bots pode ser disputada em quatro níveis de dificuldade: Easy (extremamente fácil e só indicado para quem nunca jogou CS antes), Normal (recomendado para os famosos “patos” ou newbies que precisam desenvolver as suas habilidades com um nível de dificuldade mais fácil), Hard (nível que começa a complicar, indicado para os bons jogadores, mas que ainda não são tão avançados), e Expert (este é realmente difícil, oferecendo uma boa disputa para os que estão sempre em primeiro nos servidores). Após escolher a dificuldade, abre-se nos quatro casos a mesma campanha, que é dividida entre 6 Tours com 3 mapas cada um, totalizando 18 mapas onde se misturam os mais famosos como “de_dust” e “de_aztec”, com outros não tão conhecidos pelos jogadores como “de_stadium” e “cs_downed”. É importante ressaltar que o jogo só permite que você dispute os mapas contra os Bots pelo lado Contra-Terrorista, impossibilitando o jogador de desenvolver as habilidades do outro time, embora não sejam tão distintos.
O jogador precisa vencer os três mapas de cada Tour, para que seja liberado o próximo, e assim adiante até o final. Após escolher o mapa desejado, você poderá formar o seu time, utilizando um sistema de pontuação para a escolha dos Bots de nível melhor, fazendo com que o jogador comece com um time mais fraco e vá melhorando ao avançar na campanha. Os jogadores disponíveis são classificados nos quesitos habilidade, coragem e cooperação com o time, e cada uma tem a uma importância no seu devido contexto, fazendo com que um companheiro de equipe que tenha baixo nível de coragem fique andando devagarzinho pelo mapa para não fazer barulho enquanto a bomba acaba de ser plantada em sua base ou que os jogadores que não possuem o sentido de cooperação da equipe não seguirão as suas ordens na maioria dos casos (mais um ponto positivo para a IA do sistema de Bot). Dentre os objetivos que se devem cumprir nos mapas, estão matar uma quantidade mínima de inimigos, matar um número X de inimigos com uma arma específica, vencer uma partida em um certo limite de tempo, salvar todos os reféns, entre outros. Além dos objetivos, você não pode deixar que o time adversário abra uma diferença maior do que 2 rounds no placar, ou será necessário reiniciar o mapa para realizar tudo do zero, e você só ganhará as partidas quando tiver realizado todos os objetivos e conseguir uma diferença mínima de três rounds para o seu time.
Entrando agora para o lado extra do game, oferecido pelo “Condition Zero Deleted Scenes”, temos praticamente um outro jogo, pois é completamente diferente do oficial. Aqui sim o jogador irá encontrar uma campanha de missões, com fases extensas e não apenas mapas do CS para se jogar como se fosse em single-player. Na verdade, a campanha de missões desenvolvida pela Ritual não tem quase nada a ver com o CS, a não ser pela aparência dos gráficos que compõem o cenário e boa parte das armas, embora tenham sido incluídos diversos modelos de armas e acessórias que não existem no CS. O enredo lhe coloca em uma equipe de esquadrão antiterroristas dos EUA, que deve combater um grupo internacional que está colocando em risco a paz e a ordem da humanidade. Você irá disputar missões em vários pontos do planeta (incluindo desde Argentina à Antártica), passando por diversos tipos de missões e cenários. É muito parecido com outros jogos do gênero que já foram lançados, mas pela deficiência técnica e pela falta de um melhor acabamento nas fases (principalmente no final), não dá para entender o motivo que levaria alguém a trocar um Rainbow Six: Raven Shield ou Delta Force: Black Hawk Down por este jogo, a não ser a falta de máquina para rodá-los, já que o CS:CZ exige muito menos. A inteligência artificial deste modo também deixou muito a desejar, com inimigos que surgem do nada e conseguem te enxerga através da parede, personagens que ficam presos em cantos e objetos dos cenários, sem falar nos momentos em que você joga em equipe e seus “companheiros” simplesmente somem em uma parte do mapa e reaparecem na outra.
Áudio
Os efeitos sonoros do game não acrescentam nada de novo, mantendo o mesmo padrão das armas para quem conhece o CS 1.6. Já as músicas que tocam de fundo no menu e antes de iniciar as partidas foram bem escolhidas, mantendo o clima de tensão para começar a disputa. Um ponto que podemos destacar são as falas e comunicações dos Bots que são feitas todas por voz e que, além de ficarem bem reproduzidas, dão um toque de muito bom humor para as partidas, já que eles soltam várias brincadeiras e gozações como um “I am dangerous!” (“Eu sou perigoso!”) quando matam os últimos adversários do mapa, dentre vários outros.
Já no modo Deleted Scenes há diversos diálogos entre os jogadores da sua equipe e dos inimigos, que no geral se mostraram bem colocadas, assim como uma escolha acertada das vozes para cada personagem.
MultiPlayer
Embora o enfoque principal do CS:CZ fosse o modo single-player, a Valve não poderia deixar de pensar no grande potencial da série que sempre foi o multiplayer. Embora a idéia inicial da empresa era fazer um sistema para que os jogadores pudessem participar do mesmo mapa do CS 1.6, o game acabou saindo com um sistema exclusivo que utiliza os cenários atualizados deste game, trazendo texturas mais bonitas entre outras novidades. Porém, quem adquirir o game poderá jogar também o CS 1.6 via Steam com a CD-Key do CS:CZ, mas cada um dos games utiliza um sistema independente para encontrar os servidores e disputar as partidas.
Pelo o que pudemos notar até o momento, ainda não existe uma quantidade tão grande de servidores on-line do CS:CZ (não só no Brasil como no restante do mundo) disponíveis para jogar, o que traz algumas incertezas se a enorme comunidade irá se dividir entre os dois, continuará preferindo o CS 1.6 ou está indo só um pouco devagar para o novo título. De qualquer maneira, o modo multiplayer do CS:CZ não traz nada de novo além dos mapas e dos modelos de personagens, mas é possível que nas próximas atualizações do game surjam mais novidades.
Gráficos
Este certamente é o quesito mais decepcionante para os jogadores da atualidade. Embora existam realmente várias melhorias gráficas em relação ao CS 1.6, não há como fazer milagre utilizando uma engine tão ultrapassada, e o Condition Zero paga este preço. Ainda assim, para os milhares de aficionados no multiplayer, pode valer a pena as atualizações recebidas pelos cenários, armas e personagens, tornando a jogabilidade mais prazerosa. Além das texturas com maior resolução, o nível de detalhe dos cenários também aumentou, ganhando um aspecto bem melhor.
A notícia boa só é válida para quem tem um micro pré-histórico, pois o game continua rodando lisinho em uma máquina com processador de 1 GHz, 128 Mb de RAM (ou 256 Mb se utilizar Windows XP ou 2000) e uma placa de vídeo de 32 Mb, o que é impossível de se fazer com qualquer outro lançamento nos dias de hoje.
Conclusão
A melhor conclusão que podemos chegar sob o Counter-Strike: Condition Zero é que para quem já era fã ou viciado no CS poderá continuar se divertindo com as novidades oferecidas pelo game, sem falar naqueles que não tem uma conexão de banda larga ou gostariam de treinar em casa com Bots de nível melhor, mas por outro lado quem nunca gostou do jogo tem motivos de sobras para continuar longe deste game, pois não há nada de diferente que deverá atraí-lo.
Provavelmente, se a Valve tivesse desde o início tomado uma decisão definitiva e focado as suas forças para ter lançado o game no prazo inicial (segundo semestre de 2002), o CS: Condition Zero poderia ter sido um game muito melhor do que se mostra hoje, tendo que competir com outros lançamentos que utilizam tecnologias anos-luz à frente. Também vale dizer que o game requer algum conhecimento em inglês, já que as missões são informadas em inglês, assim como toda a comunicação via voz entre os Bots.
Visto que o Condition Zero Deleted Scenes pode ser considerado praticamente como um outro game, o CS:CZ pode ser uma saída para os que não são exigente nos aspectos técnicos ou possuem uma máquina ultrapassada, e estão a procura de um game econômico, já que o preço do título está bem abaixo dos lançamentos do mercado.
Counter-Strike Source
Half-life 2: The Orange Box
Half-life 1: Anthology
